Terça-feira, 11 de Julho de 2006

Depois da tempestade

040103-2.jpg


Depois das grandes tempestades em nossas vidas,


às vezes, ao invés da bonança esperada,


costumamos fechar a alma para balanço.


E por mais que digamos estar disponíveis ao diálogo,


bem no fundo do nosso coração colocamos uma porta.


E esta porta fica tão trancada,


que se nós mesmos não a abrirmos,


tornar-se-á quase que intransponível.


É como se nossa casa tivesse sido saqueada


e o medo de que fosse arrombada de novo


não nos deixasse viver sossegados.


Visitantes cadastrados até poderiam chegar ao jardim...


mas passar da soleira, quem disse?


E ficamos tantas vezes nos perguntando,


o porque de ninguém se aproximar muito de nós


se pensamos, numa atitude de bloqueio à verdade,


Fingimos não enxergar o letreiro de “passagem proibida”


ou os cadeados enormes que colocamos nos portões


e nos muros que erguemos ao redor de nós,


porque é duro admitir


que temos medo de mais experiências depois que


uma, duas, três ou mil delas não deram certo.


Mas se só as pessoas sensíveis enxergam esse bloqueio


e elas são cada vez em número menor,


as não tão persistentes se afastam,


com medo de que soltemos os cães bravos em cima delas


e as ponhamos para correr!


que estamos dando espaço para que todos nos visitem.


Assim acabamos, por comodismo,


ficando com as pessoas menos perigosas;


com aquelas com quem sabemos


que nunca chegaremos a ter envolvimento maior,


até porque sua percepção não é tão aguçada


para penetrar no nosso interior.


Ficamos com aquelas com quem


temos menos afinidade  e pouco cumplicidade,


principalmente aquela que vem do fundo da alma...


Porque não queremos que ninguém invada


a fortaleza inexpugnável dos nossos segredos,


onde guardamos as mágoas,


os ódios não passados a limpo


e os amores mal sucedidos.


Não queremos saber de quem nos leia pensamentos


e não pretendemos nos prender a nada,


embora digamos sempre o contrário...


Embora saibamos que a falta das amarras num porto


onde poderemos atracar quando estamos à deriva,


pode constituir uma bela teoria de liberdade,


mas não nos gratifica,


pois o ser humano não nasceu para ficar só.


Nós, hoje, bem ou mal,


podemos escolher nossos amores e amigos.


E que possamos escolher os melhores,


e não os mais cômodos.


E que possamos, também, ter alguns inimigos


e, entre os nossos conhecidos,


pessoas incompatíveis conosco,


porque são eles que nos ajudam


a superar os nossos limites


e nos botam para frente,


nem que seja para que lhes mostremos


do que e o quanto somos capazes.


Precisamos ter histórias para contar,


sejam elas com finais tristes ou felizes.


Precisamos passar por experiências


que nem sempre são gratificantes


 pois uma existência passada em brancas nuvens ,


é uma existência sem frutos.


Um dia, talvez, venhamos a entender melhor


os mistérios da vida


e que, para chegarmos a um determinado ponto,


muitas vezes teremos que passar por vários obstáculos.


Talvez entendamos que precisamos nos purificar


sofrendo várias provações até conseguir nossos objetivos


e receber alguma recompensa.


Algumas doutrinas religiosas e filosóficas tentam explicar


porque algumas pessoas sofrem e outras são poupadas


e porque alguns de nós encontram suas metades


e outros passem a vida inteira a procurá-las.


Mas são explicações que talvez nós leigos,


não consigamos facilmente entender.


A única coisa que podemos arriscar,


é que nada acontece por acaso ...


ou será que acontece?


Talvez, quando sofremos,


estejamos passando


por um processo de purificação


que nunca será entendido


ou aceito por nós


enquanto estivermos


vivendo a experiência.


Talvez, quando procuramos alguém ou alguma coisa,


estejamos nos informando;


talvez quando encontramos tanta gente


incompatível conosco é porque, de alguma maneira,


somos ou fomos as pessoas determinadas


a surgir em suas vidas, seja para suportá-la,


ajudá-las ou para que, através delas,


aprendamos alguma lição importante:


da serenidade à perseverança, da paciência à fé.


Mas, por mais que apanhemos,


que nos escondamos


para fugirmos da vida,


de nós mesmos,


dos machucados e rejeições,


tudo passa.


O desespero nunca foi solução para nada


pois, afinal, não há mal que sempre dure


e nem bem que nunca acabe.


A vida sempre seguirá dando voltas.


Tomara que saibamos


aproveitar as ascensões


para levantar


quem estiver próximo de nós


e as quedas


para aprendermos


a ser humildes.


publicado por pura às 01:20
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